quinta-feira, 5 de março de 2009

Madrid vs. Lisboa



Para quem nao sabe antes de embarcar na aventura madrileña há cerca de 1 mês e meio, trabalhei e vivi em Lisboa desde Julho 2007, directamente saído de uma vida académica no Porto. A opçao por Lisboa foi muito natural para mim, estava muito desgastado da rotina dos exames, do omnipresente sotaque nortenho, da ausência de vida (nocturna) na maior parte dos dias, da reduzida dimensao das ruas do Porto, e mais que tudo, queria reformular a minha base social, iniciar um novo estilo de vida.

Tal como nas primeiras semanas aqui, a principal preocupaçao foi arranjar uma casa onde ficar, o que nao foi assim tao fácil como parecia à partida, cheguei a dormir em 5 sítios diferentes nos primeiros 2 meses! No entanto, a adaptaçao à nova cidade foi muito rápida e quando me deparei com a possibilidade de mudar de ares em Novembro do ano passado a decisao nao foi nada fácil. Tinha praticamente tudo o que precisava, um bom grupo de amigos, uma bela casa, muito para fazer e para descobrir, e mais ainda, estava encantado por Lisboa! O que realmente estava errado era o gosto (onde já ia a paixão...) pelo meu trabalho, e a ausência da mais-que-tudo...


Chegado a Madrid confesso que não tinha a expectativa muito elevada, sentia-me desconfortável por ter abandonado uma vida estável e agradável em Lisboa (e Norte de Portugal!), não estava certo que fosse realmente bom vir, e talvez isso tenha contribuido de sobremaneira para a minha adaptação rápida, mas também o número de inóvios que partilham da mesma experiência que eu, e o espetacular ambiente que tem sido criado. Embriaguei-me de Madrid, e o meu estado ébrio chegou a ser tal que alturas houve em que pensei poder tornar-me também cidadão espanhol, renegando a toda a história, estórias e preconceitos que ouvimos toda uma vida do outro lado da fronteira. Este estilo de vida enquadra-se comigo, a informalidade das pessoas também, e a grandeza da cidade atrai-me muito! Estou (mais uma vez) apaixonado...


Na ressaca destes momentos quentes lembro-me a mim próprio que estes são fugazes 6 meses distintos e irrepetíveis na vida de alguém. Será Madrid assim tão bela para além dos (largos..) euros inóvios e dos 48 contacteantes que "se quedam" até Julho? Desconfio que deve ser um pouco diferente, sou daqueles que acredita que a vida é para ser partilhada com os que nos rodeiam, e numa situação de maior solidão provavelmente veria estes tempos com outro conforto e a mesma alegria.


Na verdade Madrid dá-me aquilo que eu precisava nesta altura da minha vida, e que todavia desconhecia, e por isso acho que estou a gostar tanto. Não sei, portanto, se a paixão permaneceria após o InovContacto, mas que me toca, lá isso toca! E Lisboa, que perde para a capital espanhola na dimensão, oferta ociosa, dinâmica e alegria... pode voltar a ser um belo lugar para se viver... sempre com as pessoas certas claro!


É altura de aproveitar a "movida" que o relógio não pára, e quando 19 de Julho chegar não sei o virá em seguida...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Pinar de Chamartin

Sendo igual a mim proprio distrai-me com o passar do tempo e venho a postar após uma semana de interregno. Espero que esta aventura me ajude também a tornar-me mais disciplinado, sendo mais regular nos meus comentários por exemplo!

A semana 1 nada tem a ver com a semana 0, bastaria o facto de me levantar todos os dias quando a única luz presente nas ruas ser a dos lampiões, mas igualmente porque inicei a actividade que na verdade me trouxe até aqui. Seria um lugar comum dizer que sinto saudades do calor dos lençóis e do conforto do colchão, mas a verdade é que sem dúvida foi uma semana mais desconfortável que a anterior.

As primeiras impressões da oficina não são muito entusiasmantes: começa pela localização, no norte da cidade, uma zona predominantemente residencial ainda recente onde todavia não parece existir muita coisa digna de relevo, nem edifícios bonitos, nem restaurantes, nem bares, apenas um supermercado e uma loja de congelados que terei de explorar condignamente. A Oficina em si também não surpreende, mas tem espaço de sobra e possui o essencial, onde se inclui uma máquina Nespresso que obviamente faz as delícias de todos.

Os colegas são obviamente multi-étnicos, à imagem da cidade, não havendo um único que seja natural daqui (ora pois!). O que descobri nesta semana é que não sei falar castelhano tão bem quanto julgava, e muito menos compreendê-lo! Apesar de uns serem sul-americanos, outros bascos e outros (mais) espanhóis, conseguem todos falar demasiado depressa para a minha capacidade de compreensão. Torna-se também óbvio que não existem limites à criatividade do calão espanhol, nem tampouco à informalidade com que se dirigem entre si, dado manacial de asneiradas que me foi possível ouvir em pleno expediente. Palavras como "Coño" ou "Joder" são como que vírgulas verbalizadas tal a cadência com que surgem em praticamente 95 % das frases, seja a emprega da limpeza ou chefe do escritório! Claramente que me equivoquei quanto à facilidade em aprender e dominar este idioma, e passei largos momentos a tentar pescar palavras conjugadas com sentido no meio de reuniões e conversas triviais.

De igual forma entristeceu-me não me atribuirem de imediato uma função concreta, apenas sei que irei herdar algumas das funções do meu antecessor C12, as quais pude assistir e que não me deixaram propriamente entusiasmado, nomeadamente construir macros em excel para poder sintetizar informação rapidamente. Não parece aborrecido?

Talvez por isso o meu estômago tenha dado de si ainda era Martes pela manhã, obrigado-me a deslocar às instalações sanitárias para expurgar com vigor a comida ingerida havia pouco tempo. Terá sido porventura um dia próximo do terror, em que a indisposição e a falta de disposição me invadiram por longas e tortuosas horas de expediente, enquanto lutava para não tombar redondo na sala de reuniões. Houve muita vontade de volver a casa, ao conforto da cama, mas esse momento apenas ficou reservado para cerca das 7 e meia da tarde, qual maratona trabalhos (es)forçados para não parecer (muito) mal! Devo referir ainda que o meu almoço nesse dia infame foi um frasquinho de papas para bébés de banana e maçã e repetidos copos de água com gás! Bem dizia que esta comida daqui tinha alto potencial para causar danos, só não esperava que fossem tão lestos a surgirem!!

De facto foi uma semana cinzenta, mais ainda porque praticamente não consegui manter contacto com os meus colegas e amigos, e o pouco interesse nos papéis que iam passando, mas espero tempos melhores venham, ou pelo menos os belos dias de fim de semana em ócio!

Para finalizar 2 últimos apontamentos: perdi com imensa pena o concerto de Ladyhawke na 6ª feira passada dado que as entradas voaram demasiado depressa; acerca do título da zona da minha oficina, que para um qualquer português atento poderá levar a fazer associações pouco propositadas, e obviamente tomei como curiosidade investigar o seu significado - Pinar em castelhano é somente Pinhal caríssimos! Deixo-vos com uma (triste) foto desse local de nome sonante.

Saludos! - "Paris is Burning..."


PS: Existe ainda um Pinar Del Rey em Madrid!!!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Madrid - Semana 0


Finda a semana 0 em Madrid, é altura de resumir as primeiras impressões desta nova aventura.

Infelizmente não perdi ainda muito tempo para visitar os principais pontos atractivos da cidade, pois a principal preocupação por estes dias tem sido a busca por um piso que me acolha durante os proximos 6 meses. Uma tarefa ardua pois (quase) ninguém está disposto a alugar um apartamento por menos de 1 ano, mas na verdade isso só tem servido para fomentar a nossa capacidade de desembaraço, tão famosa na cultura portuguesa!


Pois então já deu para perceber que existe muito maior diversidade cultural aqui em Madrid que o esperado. É ver sul-americanos a servir em todos os bares, botecos e restaurantes, os negros que caminham ao nosso lado no metro e se juntam na Praça Tirso de Molina (qual Martim Moniz!), indianos com cybercafes e uma inesperada espécie de Chinatown aqui mesmo ao lado de La Latina. Isto sem referir que ouvir português no metro ou ver umas matriculas familiares na estrada também é comum!


Aqui não nos sentamos à mesa para comermos do nosso prato, mas sim ficamos de pé picando ora aqui ora acolá nos pratinhos que caiem perto de nós, conversando largos minutos, com uns golos de caña pelo meio. Sinceramente gosto muito desta cultura de tasco, só não sei se seria capaz de viver muitos anos alimentando-me diariamente de todos estes embutidos, quesos e solomillos mal passados...

O metro parece funcionar muito bem, e apesar da cidade ter uma dimensão considerável caminha-se com facilidade pois os pontos relevantes estão relativamente próximos. Espero dar conta deles nos próximos tempos!

Esta foi a semana zero, que tal como no km0 da praça do Sol, marca o inicio do meu caminho por terras de Castela.

Saludos!